Monday, September 29, 2008

CHACINA NUMA TARDE DE PRIMAVERA

do Impedimento, por Douglas Ceconello

"Gostaria de manifestar meu repúdio diante do fato de que aos 28 minutos já tínhamos três gols no Beira-Rio. Em Gre-Nal isto não apenas é um disparate diabólico como mostra-se um perigo para os emocionalmente favorecidos e cardiacamente instáveis. E o mais incrível é que, apesar do massacre vermelho, os primeiros instantes da partida mostravam alguma superioridade do Grêmio, erroneamente anunciando um jogo extremamente parelho.

Nos poucos segundos em que o placar permaneceu IMACULADO, os Hot Boys tinham mais volume de jogo, aproveitando a CLAUDICÂNCIA do sistema defensivo rubro, em especial Edinho e Ângelo, que depois melhorou de forma considerável. Mas aí, antes de o primeiro cigarro dos noventa minutos ser plenamente tragado, apareceu a estrela de Andrés Cássia Eller D’Alessandro. Alex ergueu para a área, a zaga espanou para a meia-lua e o castelhano emendou um LHC para as redes de Victor, anotando um golo absolutamente espetacular. O pobre e PROFÉTICO Marlboro quedou-se no concreto para ser furiosamente pisoteado. De imediato, percebi que teria de esquecer a ressaca e me dedicar integralmente ao jogo. Preciso parar com essa vida de ICE TEA.

Logo depois, falta para o Grêmio. Ângelo ficou pensando nas coisas da vida e deu condição a um batalhão de gremistas. Por milagre, ORTEMAM errou, cabeceando na trave, e Léo chutou por cima. Guiñazu também desperdiçou uma JUJUBA ao concluir rente à trave. A partida continuava equilibrada, com o time azul rodando a pelota no ataque. Mas o Grêmio ressentia-se de qualidade na frente e não aproveitava os espaços a ESTIBORDO e a BOMBORDO da defesa vermelha. Os colorados resguardavam-se e faziam questão de sair de forma veloz com Guiñazu, claramente dopado de VIRILIDADE (ui), e Magrão, que invariavelmente procuravam D’Alessandro e Alex.


Mun-rá!

Depois de uma falta para o lado vermelho, Tchetcheco se largou pela ponta, BRECOU, enviesou pelo meio e desferiu um chute mais preciso que forte, empatando. Clemer falhou ao demorar para cair. E mais umas três vezes o arqueiro andou borboleteando, para depois, quando a vitória estava assegurada, usar toda a sua insolência e fazer embaixadinhas. Todo o estádio temeu que ele desse uma bicicleta contra o próprio gol. Então o juiz, bem de longe, decidiu marcar um toque de Anderson Pico a Mula. D’Alessandro cobrou rápido e largou Alex Fox Kids dentro da área para marcar o gol. Os gremistas revoltaram-se loucamente, cercando Evandro Román.

Depois disso, o Inter voltou a marcar mais duas vezes, consolidando um aproveitamente excelente das bolas paradas. Primeiro Índio aparou cobrança de escanteio e anotou, contando com a conivência de Victor, que permaneceu embaixo dos paus. Mais tarde, na finaleira da primeira etapa, em outro tiro de canto, D’Alessandro recebeu passe curto, foi se aprochegando para o meio, aguardando Nilmar infiltrar-se como um LAGARTO nas costas da zaga. Então fez um lançamento brilhante e deixou o atacante na cara do indefeso Victor. Era o quarto golo, ainda no primeiro tempo. Algo inimaginável, louco e ensurdecedor. Algo delirante, surreal, que cura a ressaca de qualquer um. Depois disso Edinho ainda teve tempo de protagonizar seu melhor lance, ao provocar um chilique em Tcheco. Ambos acabaram na rua.


A insuperável delicadeza do Gre-Nal

Na volta do intervalo ficou claro que Sexy Hot havia entregado os pontos. Questionado por um repórter, afirmou que “o campenato não acaba hoje (ONTEM)”. Para corroborar seu desencanto, ainda sacou Paulo Sérgio e Perea e colocou Souza e William Magrou. Tivesse alguma esperança, poderia mandar a campo Soares ou Morález. Eu, que não sou bobo e fitava Tite como quem observa dois cachorros cometendo indecências em VIA PÚBLICA, ainda estava ressabiado. Porque o Inter voltou muito recuado. Como a pressão gremista não apareceu e os tricolores estavam batidos, os colorados voltaram a jogar. Tiveram duas boas chances, enquanto os rivais levaram algum perigo com Anderson Pico e Marcel.

Me parece claro como a manhã de domingo que os colorados venceram pela sua maior qualidade técnica e disposição. Importante também salientar que a equipe correu durante todo o jogo. No segundo tempo, após os primeiros minutos de instabilidade, adonou-se da partida, impossibilitando qualquer reação do Grêmio, impotente e apático como há tempos eu não via. Olhando com mais serenidade, no entanto, encontro alguns erros lamentáveis no setor defensivo. Os gremistas, pasmos com a queda da equipe, deverão juntar os cacos da goleada e tentar uma recuperação imediata, com o adicional de agora não estarem mais isolados na ponta. E, se uma derrota em clássico já DESARRANJA tudo, uma goleada, se não for ESMIUÇADA e tiver todos os seus pormenores analisados por quem manda no futebol tricolor, pode ter um efeito catastrófico.

A primeira foto é de Diego Vara. As outras duas são de Valdir Friolin.

Saudações,
Douglas Ceconello."

Monday, September 22, 2008

PARA BONS ENTENDEDORES

Hoje comprei um quilo de sal.

Thursday, September 11, 2008

QUEM NÃO LEMBRA?

Friday, September 05, 2008

AINDA DE MOLHO

Continuando com a série de participações especiais neste espaço, mais uma vez a presença marcante das metáforas futebolísticas de Felipe Hellwig e seu lirismo peculiar. O assunto, mais uma vez, são as transações milionárias ( e imaginárias ) do nosso pequeno mundo do futebol das segundas-feiras.
Ainda estou aguardando a crônica do jogo desta segunda, quando me dirigi para a quadra apenas para assitir a partida, mas fui obrigado a ir para o sacrifício para completar o nº mínimo de 14 atletas.
Quem viu, viu. Só sei que meu time ganhou.

Com vocês, Felipe "Peruca do Inferno"

(ignorar a parte referente ao futebol do Tata, o cronista visivilmente foi comprado por uma cerva e um xis depois do jogo...)

"Tenebrosas transações, documentos fiéis... Há algo mal explicado na milionária transferência do artilheiro Tipinho para o competitivo futebol paulista: parece que o olheiro Paul Renault ficou de marido traído nesta história. Ele, claro, desmente. Mas o fato é que foi o último a saber. O empresário chinês Alcikimione III, dono de 70% do passe do craque vinha negociando em pelo menos duas frentes, uma abertamente com Paul, e outra veladamente com ricos empresários paulistas. Deu no que deu. Perdem Paul e o emergente futebol de Pedro Osório, que assistirão pela TV ao matador Tipinho fulminar as redes paulistas. Perde também o HD, e as noites de segunda-feira não mais serão as mesmas, sem o cadente balanço no fundo das redes que Tipinho produzia a cada jogo, pelo menos uma vez, sempre, geralmente, mais de uma. Futrica de empresários e olheiros à parte, Tipinho não tem nada a ver com o babado. O negócio dele é jogar bola e meter gol. Desejamos sorte na empreitada paulista. Competência todos sabem que ele tem de sobra. Quanto a sua despedida dos jogos nas noites de segunda, não tenho amenor dúvida: com Tipinho não existe meia-bomba, e cada jogo é uma final de campeonato. Ele simplesmente não saberia fazer de outra forma. Quem for ao HD na chuvosa e fria noite de hoje, verá: vai ser o guri de sempre em campo, correndo e chegando junto em todas. E a bola no fundo das redes (quantas vezes?) se fará presente.

Parece que a fase não anda mesmo das melhores para o empresário da bola Paul Renault. Perdeu a disputa pelo passe de Tipinho e agora aposta suas fichas restantes em Pedro Maia, que não vem conseguindo repetir as atuações que outrora enchiam os olhos dos torcedores e comentaristas. Me pergunto o que houve com o rapaz. Ninguém desaprende a jogar, diz a máxima futebolística. Mas o meia já está ficando com aquela fama de jogador dorminhoco, que demora para acordar durante o jogo. Quando ele acorda, o bicho pega, mas às vezes já é tarde.

Finalmente, Paul não mostrou o menor interesse pelo passe de Tata, que, sacrificado por esquemas táticos que não lhe favoreciam, parecia um mau negócio. Mas o mundo gira, e Tata é hoje um dos jogadores mais regulares das noites de segunda-feira. Desempenha função tática primorosa, dando sólida consistência ao sistema defensivo e oferecendo uma saída de jogo rápida e de qualidade. Joga pelos dois lados do campo, tem velocidade e bom jogo aéreo. Enfim, trata-se de um jogador "moderno", capaz de desempenhar múltiplas funções dentro de campo. Um verdadeiro curinga, que os treinadores estrategistas sabem fazer bom proveito. Mas Paul vaticinou: "Tata erra muito gol". E não quis saber de negócio. Gol é importante no futebol, seu Paul, mas se o pessoal não garantir lá atrás e não sair jogando com técnica e velocidade, o gol fica mais distante.

Existem vários tipos de jogadores. Entre eles há o falso-morto. É aquele atleta de quem pouco ou nada se espera, de repente ele dá o bote e decide o jogo. Rafael Mezzari revelou-se o mais novo falso-morto. Sempre manteve a regularidade na ala direita, sólido na parte defensiva, a mais importante, e só subindo ao ataque na boa. Tudo indicava que a natureza seguiria seu curso, e Mezza daria continuidade a uma carreira regular no futebol, distante do céu, e mais longe ainda do inferno. Entretanto, após uma reviravolta em sua condição física, as últimas atuações desse atleta já lhe permitiram alcançar as estrelas. O falso-morto saiu de sua tumba. Com técnica refinada, imposição e preparo físico invejáveis, suas investidas pela ala direita têm se mostrado decisivas. Dono de um chute potente, a comparação com o antigo lateral esquerdo do Fluminense e seleção brasileira "Branco" é inevitável. Só muda o lado do campo, Mezza exibe seu jogo pela direita. Mezza joga sério e geralmente não enfeita. Geralmente não é sempre. Quem presenciou a "pedalada mágica" sabe bem disso. Em quadra rápida (futsal) ele pedalou durante uns vinte segundos passando por três marcadores, só parando quando a bola já jazia no fundo das redes.

Pouca gente viu e o jogo não tinha televisão. Quando Leonidas da Silva (o famoso Diamante Negro) inventou a bicicleta no Pacaembú, também não havia televisão. Pouca gente viu. Ninguém esqueceu."