CHACINA NUMA TARDE DE PRIMAVERA
"Gostaria de manifestar meu repúdio diante do fato de que aos 28 minutos já tínhamos três gols no Beira-Rio. Em Gre-Nal isto não apenas é um disparate diabólico como mostra-se um perigo para os emocionalmente favorecidos e cardiacamente instáveis. E o mais incrível é que, apesar do massacre vermelho, os primeiros instantes da partida mostravam alguma superioridade do Grêmio, erroneamente anunciando um jogo extremamente parelho.
Nos poucos segundos em que o placar permaneceu IMACULADO, os Hot Boys tinham mais volume de jogo, aproveitando a CLAUDICÂNCIA do sistema defensivo rubro, em especial Edinho e Ângelo, que depois melhorou de forma considerável. Mas aí, antes de o primeiro cigarro dos noventa minutos ser plenamente tragado, apareceu a estrela de Andrés Cássia Eller D’Alessandro. Alex ergueu para a área, a zaga espanou para a meia-lua e o castelhano emendou um LHC para as redes de Victor, anotando um golo absolutamente espetacular. O pobre e PROFÉTICO Marlboro quedou-se no concreto para ser furiosamente pisoteado. De imediato, percebi que teria de esquecer a ressaca e me dedicar integralmente ao jogo. Preciso parar com essa vida de ICE TEA.
Logo depois, falta para o Grêmio. Ângelo ficou pensando nas coisas da vida e deu condição a um batalhão de gremistas. Por milagre, ORTEMAM errou, cabeceando na trave, e Léo chutou por cima. Guiñazu também desperdiçou uma JUJUBA ao concluir rente à trave. A partida continuava equilibrada, com o time azul rodando a pelota no ataque. Mas o Grêmio ressentia-se de qualidade na frente e não aproveitava os espaços a ESTIBORDO e a BOMBORDO da defesa vermelha. Os colorados resguardavam-se e faziam questão de sair de forma veloz com Guiñazu, claramente dopado de VIRILIDADE (ui), e Magrão, que invariavelmente procuravam D’Alessandro e Alex.
Depois de uma falta para o lado vermelho, Tchetcheco se largou pela ponta, BRECOU, enviesou pelo meio e desferiu um chute mais preciso que forte, empatando. Clemer falhou ao demorar para cair. E mais umas três vezes o arqueiro andou borboleteando, para depois, quando a vitória estava assegurada, usar toda a sua insolência e fazer embaixadinhas. Todo o estádio temeu que ele desse uma bicicleta contra o próprio gol. Então o juiz, bem de longe, decidiu marcar um toque de Anderson Pico a Mula. D’Alessandro cobrou rápido e largou Alex Fox Kids dentro da área para marcar o gol. Os gremistas revoltaram-se loucamente, cercando Evandro Román.
Depois disso, o Inter voltou a marcar mais duas vezes, consolidando um aproveitamente excelente das bolas paradas. Primeiro Índio aparou cobrança de escanteio e anotou, contando com a conivência de Victor, que permaneceu embaixo dos paus. Mais tarde, na finaleira da primeira etapa, em outro tiro de canto, D’Alessandro recebeu passe curto, foi se aprochegando para o meio, aguardando Nilmar infiltrar-se como um LAGARTO nas costas da zaga. Então fez um lançamento brilhante e deixou o atacante na cara do indefeso Victor. Era o quarto golo, ainda no primeiro tempo. Algo inimaginável, louco e ensurdecedor. Algo delirante, surreal, que cura a ressaca de qualquer um. Depois disso Edinho ainda teve tempo de protagonizar seu melhor lance, ao provocar um chilique em Tcheco. Ambos acabaram na rua.

A insuperável delicadeza do Gre-Nal
Na volta do intervalo ficou claro que Sexy Hot havia entregado os pontos. Questionado por um repórter, afirmou que “o campenato não acaba hoje (ONTEM)”. Para corroborar seu desencanto, ainda sacou Paulo Sérgio e Perea e colocou Souza e William Magrou. Tivesse alguma esperança, poderia mandar a campo Soares ou Morález. Eu, que não sou bobo e fitava Tite como quem observa dois cachorros cometendo indecências em VIA PÚBLICA, ainda estava ressabiado. Porque o Inter voltou muito recuado. Como a pressão gremista não apareceu e os tricolores estavam batidos, os colorados voltaram a jogar. Tiveram duas boas chances, enquanto os rivais levaram algum perigo com Anderson Pico e Marcel.
Me parece claro como a manhã de domingo que os colorados venceram pela sua maior qualidade técnica e disposição. Importante também salientar que a equipe correu durante todo o jogo. No segundo tempo, após os primeiros minutos de instabilidade, adonou-se da partida, impossibilitando qualquer reação do Grêmio, impotente e apático como há tempos eu não via. Olhando com mais serenidade, no entanto, encontro alguns erros lamentáveis no setor defensivo. Os gremistas, pasmos com a queda da equipe, deverão juntar os cacos da goleada e tentar uma recuperação imediata, com o adicional de agora não estarem mais isolados na ponta. E, se uma derrota em clássico já DESARRANJA tudo, uma goleada, se não for ESMIUÇADA e tiver todos os seus pormenores analisados por quem manda no futebol tricolor, pode ter um efeito catastrófico.
A primeira foto é de Diego Vara. As outras duas são de Valdir Friolin.
Saudações,
Douglas Ceconello."

