Wednesday, April 26, 2006

"TAÍ UMA COLUNA QUE EU VOU LER"

"É preciso escapar dessa armadilha, se o que se quer é o inopinado. É preciso silenciar, para ouvir o rumor do mundo. Diante da sua gravidade e de seus homens tão ativos e enérgicos, a humildade para se calar, não emitir juízos, apenas observar em doce passividade, dedicando-se ao detalhe banal com o mesmo espanto da criança diante de um gato pela primeira vez. Mas enxergar a coisa sem importância requer exercício contínuo e entrega. É preciso saber esperar o momento de distração dessa máquina de produzir significações a que chamamos pensamento lógico, esperar o momento em que nada significa absolutamente nada, quando tudo é sonolência improdutiva, quando a realidade se fende por um segundo, e então algo lá atrás se move, algo vibra, e ali está todo o universo, vivo, palpitante."
Amílcar Bettega

Tuesday, April 25, 2006

A DOCE SENSAÇÃO DO PODER

Thursday, April 20, 2006

NEM PRECISO DIZER DE ONDE VEIO

POSSIBILITY
Entre a esperança e a decepção, fica o período de imbroglio que eu escolhi designar como “possibilidade” –aquele no qual a fantasia solitária com que todo amor começa ganha os primeiros traços de reciprocidade-, o estágio que separa o “nice to meet you” do “sim” (e, com sorte, do “oba!”). Deve ter algum pesquisador indolente na Universidade de Tuscaloosa trabalhando com a hipótese de que essa sensação de possibilidade libera endorfina, ou causa ativação de uma área qualquer do célebro correlacionada a um centro de prazer. (O mundo vai ser muito melhor quanto todas as demais disciplinas puderem ser reduzidas à Física.) Enquanto isso, a gente pasta.
“Possibilidade” acontece quando o sujeito já tem certeza de que gosta da moça, e de repente começa a perceber sinais concretos de que o afeto é, ou poderá ser, retribuído. (Ou seja, no mundo da possibilidade você se ilude realisticamente, o que faz com que as feridas sofridas nas guerras da possibilidade doam muito mais do que as causadas por vôos de fantasia.) O mais rigoroso juízo ético e intelectual avalia a situação, e tudo indica que, yo, vocês foram feitos um para o outro.
Meu problema com Ms. Possibility aconteceu exatamente porque esqueci que todos os óbvios que me pareciam ululantes, todos os resultados de análises isentas e rigorosas não levam em conta o fator essencial: amor não tem e nunca vai ter nada de lógico. E se bem a nossa correspondência cintilasse e fôssemos claramente imensa inspiração um para o outro, quando enfim coloquei as cartas na mesa, no sparkle at all. Ou pelo menos no sparkle for her.
Possibilidades são a coisa mais destrutiva do mundo, nessas horas. Porque você sabe que a possibilidade de fato existia, e porque analisou as coisas com tamanho cuidado, se torna impossível não aplicar a mesma argúcia contra você mesmo e diagnosticar que, yo, o possível se tornou impossível porque você é burro demais, ou feio demais, ou presunçoso demais, ou, sei lá, deficiente em qualquer um de todos aqueles critérios em que secretamente sempre temeu ser deficiente.
Para minha sorte, Ms. Possibility é uma dama irreprochável e continuou a me tratar com grande afeto apesar das caquinhas que acompanharam o desastre. Prum sujeito com ego, er, avantajado, como eu, é doloroso conviver com a memória da própria burrice, ou entender o que, exatamente, causou aquele colapso. Tem coisas que não deviam acontecer nem a pau depois dos 35 anos: you’re old and supposedly wise enough to know better. Quando elas mesmo assim acontecem, a queda parece muito maior, e você se sente ainda mais idiota.
(O mais triste da história é que, passados quase dois anos, a análise continue a ser rigorosamente a mesma:
“We’d be so grand at the game,
so care-free together
that it does seem a shame...”
Yet that’s how it crumbles, cookie-wise.)

Tuesday, April 18, 2006

MELHORES MOMENTOS


Vejam que porte, que elegância, que galhardia!
Isso é o que falta no meio campo do Colorado, alguém com visão de jogo e que conheça os atalhos do gramado.
Na foto, um flagrante do jogo beneficente Amigos do Claudinho vs Pedro Osório All Stars ( que apesar de contar com o prefeito municipal dentre os integrantes de seu plantel, não se salvou de tomar um banho de bola), onde podemos ver o momento de contemplação por parte do meio campista, após efetuar com precisão um lançamento de 50 metros que mais pareceu um passe dado com as mãos, resultando no gol que abriu o placar no Monumental Estádio Mimosa Rodrigues, sede do Piratini Futebol Clube, que curiosamente, fica em Pedro Osório.
Ah, se o Fernando Carvalho me descobre!`
PS> prá quem não percebeu ainda, eu sou o gordinho de laranja.

Tuesday, April 11, 2006

NÃO TÁ MORTO QUEM PELEIA


Gauchão é passado. Pé na bunda do Abel, e rumo à Tóquio!

Monday, April 10, 2006

RETOMANDO

Buenas, para interromper uma série relativamente longa de “ctrl + c’s” e “ctrl + v’s”, aqui estou novamente, em carne e osso, ou melhor dizendo, pulsos eletromagnéticos emitidos pelo tubo de imagem do seu monitor. Ou algo parecido, nunca fui muito bom nesses assuntos técnicos.
Agradeço aos milhares de “amigos” que ligaram e/ou mandaram mensagens no decorrer da tarde/noite/madrugada de ontem. Ao contrário de alguns colorados menos pacientes, fiz questão de atender um por um dos meus “amigos” gremistas, e com toda a educação que os meus pais me deram, somada à fleuma que a natureza me atribuiu, respondia com sonoros “VAI TOMÁ NO CU” aos queridos que lembraram deste digníssimo amigo em momentos de tão profundo êxtase. Desejo, sinceramente, do fundo do meu coração, que se fodam todos. Com todo o carinho, claro.
As alternativas eram pular pela sacada ou aproveitar que a mesma era provida de churrasqueira, para afogar as mágoas no melhor estilo gaudério que um apartamento na capital possa proporcionar. Pedir pizza seria por demais deprimente.
Após enfrentar um leve congestionamento para a obtenção dos víveres necessários, o resto foi só alegria, já que, nas palavras de um sábio filósofo alemão que temporariamente habita a minha casa, “O que não tem remédio, remediado está.” E realmente, o time do Inter não tem remédio.
Linguicinha fina, assado de tiras, a graxa de uma suculenta picanha respingando na brasa, um pãozinho com alho e a companheira fiel e gelada na mão, o calor do fogo e a paisagem privilegiada nos altos da Bela Vista. Isso tudo, mais a companhia de colorados de coração e outros de adoção, foram paliativos mais que suficientes para aplacar a dor do momento. E segue o baile.

FRAGMENTOS ESPARSOS QUE PODERIAM VIRAR UM POST MAS NÃO VÃO (OU NÃO):
jogar bola em uma quadra próxima ao aeroporto, enfiar um petardo de longa distância com endereço certo, longe do alcance do goleiro adversário, no exato momento que um avião com a palavra “GOL” em letras garrafais sobrevoa o local. Se a Mastercard ficasse sabendo, certo que virava um comercial.
Visitem, no Santander Cultural, a exposição “É HOJE na arte brasileira contemporânea – coleção Gilberto Chateaubriand”. PS > não deixem de dedicar atenção especial a obra intitulada “Chuva”. Teste até onde vai sua curiosiodade, ousadia e interatividade.
Após a visita, aproveitem para um happy hour no Bistrô do Margs, no outro canto da praça. Ao entardecer, ao som de um belo saxofone, a cada dois chopps o terceiro é por conta deles. No caso de uma refeição mais substanciosa, dou destaque para os filés Ado Malagoli e Aldo Locatelli, além do risoto de charque com tomates secos ou o cordeiro com molho de amêndoas.
e segue o baile.

Friday, April 07, 2006

AINDA SOBRE O PLATONISMO

Tuesday, April 04, 2006

MAIS UMA DA SÉRIE "ACREDITEM, NÃO FUI EU QUE ESCREVI"

Abecedário: Beaten
Nunca é boa idéia se apaixonar pela melhor amiga, especialmente na adolescência. Mas idéia pior ainda é se transformar no melhor amigo da menina por quem você já está apaixonado. Nada incomoda mais do que aquela tão peculiar combinação de esperança e desespero, e nada humilha mais do que de alguma maneira saber que se está acumulando como fossem pérolas momentos que na verdade não passam de migalhas. (E, mesmo na adolescência, dude, você sabe. E como sabe.)
Enquanto ela distraidamente distribuía a legiões de sujeitos não muito melhores do que eu favores que eu tinha medo de supor tão pornográficos quanto todo adolescente passa o tempo imaginando, nós nos tornávamos cada vez mais amigos –música, livros, cinema, viagens, o desdém compartilhado pelos burros e por quase tudo mais que nos cercava. E em meio à filosofia barata, literatura pretensiosa e música erudita que discutíamos com ridícula seriedade, a gente também exercitava sempre o esnobismo às avessas que me acompanharia pelo resto da vida, e queimava aquelas espirais mata-mosquito a título de oferenda no altar de São Brega. (Entre um Schopenhauer aqui e um Hölderlin acolá, eu lia livrinhos de espionagem estrelados pela indefectível Brigitte “Baby” Montfort, e ela uma interminável coleção alemã de ficção científica muito ruim chamada Perry Rhodan.)
Depois de uma viagem na qual, além de ouvir indesejadas confissões dela sobre seus beaus, nos vimos forçados a dividir uma cama por uma noite (que eu evidentemente passei em claro, paralisado entre a vontade de arriscar e o medo de ofender), decidi desistir. Se ela não tinha percebido até ali, só podia ser por não querer. Consegui me afastar sem destruir a amizade, ainda que à custa de deixar a turma, o colégio, o país, mudar de nome e fazer três plásticas.
Para um sujeito com porção melancólica tão fórrtinha quanto a minha, era charmoso ter uma Grande Desilusão a ostentar, quase como um rosto marcado por cicatriz de duelo. Por alguns anos, Beate era a desculpa perfeita para que eu entrasse em toda paquera com três pés atrás. Até o dia em que, respondendo a uma carta na qual eu havia ironizado o seu apetite romântico, acusando-a de viver cercada de homens, ela alegou: “Talvez eu vivesse cercada de outros garotos porque tinha medo de me declarar pro garoto que eu queria, já que ele era metido a engraçadinho”.
Desde menina, Beate pensava o tempo todo no futuro, tanto o pessoal quanto o catastrófico que parecia obrigatório em meio às convulsões finais da guerra fria, e também em todos aqueles futuros utópicos ou distópicos imaginados pelos escritores de literatura barata cujos paperbacks ela lia à razão de três por semana. Talvez porque o universo seja regido não pela indecifrável teoria do campo unificado mas pelo escroto princípio da crueldade irônica, ela morreu antes dos 20. Por causa de Beate, aprendi a desconfiar do futuro, e a dizer “eu te amo” com menos de quatro anos de atraso. (O futuro? Foi tão sem graça quanto ela temia e eu imaginava.)

DREAMS OF FLYING


O título já diz tudo, recomendo a visita.
E pensar que tudo é uma mera questão de perspectiva...
Boa frase para refletir.

http://www.janvonholleben.com/dreams_of_flying/