DIREITO DE RESPOSTA
O Tulha, em conjunto com o Rua XV, é um dos poucos remanescentes de uma época noturna da vida de vários da minha geração.
Satolep já era, talvez o similar mais aproximado. Não pelo ambiente, mas por também ser um ponto costumeiro nas noites de domingo. Quem não curtia os shows do Rato, mesmo com aula no São José na manhã seguinte?
Carlitos, Supérfluo, Cais, até mesmo a famigerada Palativm (ou alguém vai negar que, em uma época não muito distante, era apenas um piá que ia prá noite de carona com os pais ou irmãos mais velhos, com hora marcada prá voltar?)
Sempre haverão aqueles lugares que são a "febre", o "point", e por isso mesmo, o efêmero. Engenho Sta Inácia, Olaria, Patrimônio, Lancelot, Casa de Portimnari (...), etcs e etcs, esses vem e vão, e o Tulha permanece.
É certo que com algumas modificações, tanto físicas quanto de público, mas é preciso estar aberto à vinda das novas gerações, até mesmo porquê não há como impedi-las, e nós somos exemplos vivos disso.
Outras coisas não mudam, como o péssimo atendimento, o mau humor das garçonetes, a cerveja quente e que acaba no meio da noite, o troco errado, todas essas coisas que fazem parte da atmosfera do lugar, e também, porque não dizer, do seu charme.
Quem nunca deu uma banda na frente do Tulha, até de pijama, só prá ver se aquele carro estava lá na frente?
Enfim, para mim, que nas vezes que vou ao Tulha já estou com a passagem comprada no Embaixador das 4 da manhã em direção à capital, sempre é com um misto de nostalgia e outra coisa que não saberia descrever que me despeço daquele lugar. Os highlanders da boemia sempre dão um jeito de aparecer por lá quando na cidade, e acho que faço parte deste grupo. Às vezes, parece que até o Panga vai aparecer por ali, com a garrafa de cerveja sob o mesmo braço da mão que segura o copo, contando vantagem do futebol jogado na tarde daquele domingo.
Arrisco dizer que, no meu caso, nem vou ao Tulha pelos atrativos do lugar, mas sim pelo clima de máquina do tempo que ele proporciona.
A gente se encontra por lá, em qualquer domingo desses...
