Thursday, December 28, 2006

ASSIM FALOU TAINÁ

"A paixão está mais para um instinto do que para um sentimento, administrável como tantos outros. É por isso que se tratando dela tudo é plausível. Não se deve julgar pela razão o que as pessoas fazem movidas pelas tripas-coração. Existe sim uma força que vem sei lá de onde e que ao mesmo tempo certeira e aleatória provoca estragos enormes nos mais desavisados. Quando isso acontece o coitado do “infectado” embaralha visão com cheiro, gosto com tato e, a partir disso, tudo adquire novos contornos sintomáticos. Talvez por tais características esse fenômeno seja representado por um anjinho safado que brinca de arco e flecha com os pobres dos humanos…








toma!"

Wednesday, December 20, 2006

ATENDENDO A PEDIDOS

Bom, a demora tem explicação. Depois do meu emocionado relato sobre a vitória testemunhada ao vivo naquela sofrida final de Copa Libertadores, nem passaria pela minha cabeça terminar um post com a expressão “o Adriano Gabiru era eu”.
Convenhamos.
Depois de tudo já sacramentado, com o caneco no armário e a faixa no peito, tirei esta semana para ouvir e ler tudo que foi escrito a respeito da conquista máxima do meu time do coração, seja em jornais, blogs, rádios, tvs, ou mesmo abrindo a janela do meu escritório que fica diretamente acima da av. Mauá, para ver a gigantesca carreata e a aglomeração de pessoas, quase se jogando sob o caminhão dos bombeiros no afã de chegar mais perto dos seus ídolos.
Agora tudo é alegria.
Mas o domingo foi de tensão.
Eu e a minha mãe acordamos cedo, antes das seis da manhã, fizemos um mate e ficamos assistindo a disputa do terceiro lugar e falando bobagem. A cada cinco minutos ela largava um “Inter! Inter!” só pra ir entrando no clima. Aos poucos os outros colorados da família iam aparecendo, todos com a cara da noite mal dormida em virtude da expectativa. Logo apareceu o meu pai, com a camiseta que compramos para ele poucos meses atrás, ainda com apenas 4 estrelas, com a promessa de que esperaríamos a conquista do mundial pra presenteá-lo diretamente com a constelação completa.
Os outros irmão apareceram, estava faltando a minha irmã. Ligo pra ela:
-E aí? Cadê tu?
-Acho que vou assistir o primeiro tempo aqui em casa, conforme for, eu apareço aí no segundo tempo...
-Ana Paula, vem pra cá AGORA.
- tá bem.
Família reunida, bandeira na sacada, várias térmicas e cuias de chimarrão passando de mão em mão, pois o horário era muito cedo para a tradicional cervejada que acompanha os jogos de futebol na casa dos Gomes. O nervosismo está estampado no rosto de cada um.
Acompanhamos os flashs da Av. Goethe em Porto Alegre, aquela massa vermelha e ensandecida, o mais perto possível do Japão que qualquer colorado poderia se encontrar.
Bom, sobre o jogo, não tem o que falar. Todo mundo viu, reviu, treviu. Só posso falar do sentimento que me ocorreu depois de 5 minutos de bola rolando.
“Eles não estão nos colocando na roda...”
Simples assim. O todo-poderoso Barcelona, time que a maioria pensava daria um baile no deficiente e limitado time do Inter, após alguns momentos de bola rolando, não conseguiu impor o seu melhor futebol sobre os colorados. E foi ali, antes dos dez minutos de jogo, que eu tive a certeza que o colorado seria o campeão do mundo.
Foi com essa convicção que arrastei de volta para a sala a minha irmã que resolveu se esconder na despensa da casa porque “vou acabar tendo um troço vendo esse jogo” e também o meu pai, que havia se socado no quarto, mesmo contra as advertências da minha mãe, que não queria ver o seu marido infartando pela segunda vez. Coloquei os dois de volta na sala e profetizei:
“Vocês não estão vendo que o Inter vai ser campeão, tchê!?!?”
Os detalhes só aumentaram a pressão: Pato fora. Fernandão sem condições de continuar em campo. O zagueiro Índio sangrando aos borbotões. E, usando aquela célebre frase de um já aposentado narrador esportivo gaúcho, “quando tudo parecia perdido...”:
Iarley recebe a bola na intermediária de ataque, dá um drible seco, quase de futebol de salão no seu marcador, avança e entrega a bola com açúcar para ninguém mais ninguém menos que Adriano, que domina, chuta fraco, a bola caprichosamente resvala na luva de Valdez e cai macia no aveludado fundo das redes.
Os gritos que se ouviam na nossa sala não eram os tradicionais “GOOOL!!”, ou “CHUUUPA!!!”, sempre bradados quando das vitórias coloradas. Eram sons guturais, histéricos, alguma coisa parecida com a hora do recreio no Hospital Psquiátrico São Pedro, ou instituição semelhante. Correria desenfreada para lugar algum, pulos nas poltronas antigas fazendo-as corcovear até o outro lado da sala, volume da tv e do rádio no máximo, barulho de foguetório entrando pela janela. O próprio apocalipse colorado invadindo o mundo através da sala da minha casa.
Como disse o Luis Fernando Veríssimo:
"O passado é prólogo. Certos acontecimentos dão força a esta frase, transformam tudo que veio antes em preliminar, em mero antecedente. Ou, para usar outro termo literário, em prefácio. Você se dá conta de que tudo que houve até ali - toda uma vida, toda uma história - foi simplesmente preparação para aquele certo momento, depois do qual nada será como era. E o passado ganha uma lógica que não tinha. Você passa a entender tudo em retrospecto. Tudo tinha um sentido que você apenas não percebera, na falta do momento máximo. A vitória do Grêmio em Tóquio em 83, os anos medíocres, o quase rebaixamento, as finais desperdiçadas, os vexames, as desilusões - tudo era prólogo para ontem."
Pois é. Tudo foi prólogo para o domingo passado. E algum colorado vai dizer que não valeu a pena?

Friday, December 08, 2006

ATUALIZANDO ESTA BAGAÇA

Era mentira. Bom final de semana para todos!