Monday, August 27, 2007

SEGUE O BAILE

Buenas, atualizar este bestiário nas segundas-feiras tem se tornado a práxis por aqui, não me perguntem o motivo. Acho que serve como uma espécie de catarse, um jeito de amenizar aquele que cumpre o papel de ser o dia menos esperado da semana. Então, vamos lá.
Tudo bem, eu sei que a Giana é uma gata e vocês vão ter que rolar a barra lateral prá poder ver a foto dela de agora em diante, mas nunca é demais avisar que a guria é casada, e o cara é muito gente fina, então percam as esperanças. Só na TV mesmo, gurizada. Algo como a minha paixão platônica pela Paolinha Valdez ( *suspiro*).
E agora, para algo completamente diferente, fiquem com a opéra-cult-graphic-novel série de frases e quadrinhos cabeça do André Dahmer:
"É-nos possível estar sozinhos, desde que seja à espera de alguém."
Gilbert Cesbron

Monday, August 20, 2007

Báh.

O pessoal vai reclamar, eu sei. Mas não adianta, eu sou fã do cara e vocês terão que, nas palavras de uma amiga minha, "dar o braço a morder" e ler mais um texto descaradamente copiado e colado aqui, ou podem ler em primeira mão no original.
Só posso imaginar duas reações: quem já assitiu ao filme citado, vai imediatamente se identificar com as palavras do Uncle Filthy. E quem não assistiu, como é o meu caso, vai ficar com aquele comichão atrás da orelha até conseguir descobrir em qual locadora eu vou achar esse negócio.
PS> prá não reclamarem tanto assim de mim, relato que o final de semana foi supimpa, com direito a apresentação especial da cantora que coloca no chinelo qualquer uma. Que Maria Rita que nada. A nova Elis se chama Giana Cunha.
Sabe quando todo mundo no bar está mais preocupado com os petiscos, colocar as conversas em dia e pedir o próximo chopp do que com a música que tá rolando no ambiente? E sabe quando de repente uma guria vai até o microfone, senta como se fosse a dona do buteco e começa a cantar, e as conversas vão diminuindo, diminuindo, até não ter mais ninguém falando? E depois ainda é obrigada pelo cara que dá nome ao bar a fazer bis? Pois é, o Bar do Nito conheceu uma estrela na noite de sexta.
Para quem não esteve presente, aproveitem para sintonizar a TV COM esta semana, pois a permanência dela foi prorrogada na capital. Parece que os Sirostski não querem se livrar tão cedo dela. Aproveitem antes que ela vire correspondente internacional e aí vai ser só prá quem tiver Cnn.
Eu quero meu cd!
Ah, e aqui, o texto sobre o qual eu estava falando:
"A (des)ventura
Um dos meus melhores amigos na adolescência adorava ficção científica –normal, para a idade-, mas não era exatamente um trekkie ou um desses sujeitos que calejam as pópria mão rendendo homenagem à princesa Leia. Aos 15 ou 16 anos, ateus não militantes e cinéfilos empedernidos, um dos assuntos que o Fábio gostava de discutir em nossas madrugadas de conversa (muitas delas passadas voltando a pé de cineclubes espalhados pela podreira paulistana) era a ficção científica como uma espécie de sucedâneo racionalista da religião. A tese dele era a de que, a exemplo dos religiosos, os devotos da ficção científica acreditam que deve necessariamente existir algo mais, algo maior, do que o hic et nunc: o Outro Mundo, os outros mundos.
Eu sei, eu sei, é o tipo de bobáj solene que nem a gente conseguia discutir sem escrachar, mesmo naquela idade. Mas existia alguma coisa na idéia –uma admissão tácita do sentimento de solidão, da atração do mistério (ou Mistério). Um pouco do amor do Fábio pela ficção científica derivava do medo da solidão (cósmica, se não pessoal), ou da esperança de que tudo não fosse apenas a aventura aziaga de uma audaz amebinha. Deus talvez não existisse, ou não tivesse um plano; mas em lugar de tampar o nariz e mergulhar como destroços na fedebunda corrente da História, a gente talvez pudesse acreditar que, yo, de algum lugar os alienígenas estivessem nos olhando, velando por nós ou planejando fazer churrasquinho do Capitólio.
Eu mesmo não era assim tão fã de sci-fi; já desde menino, preferia o passado ao futuro, como playground. (Para surpresa de ninguém, aliás, anos mais tarde o Fábio escolheu a Física, e eu a História). Talvez porque extremamente suscetível aos seus encantos, o melodrama usual dos pensamentos adolescentes me causava nojinho –ou seja, eu passava metade do tempo dando croque na minha pópria cabeça quando me ocorriam pensamentos da modalidade “life sucks”, “no future”, “tudo isso pra que, pô?” Sem os ETs e sem as entidades sobrenaturais, só restava o senso de ridículo para prevenir minha adesão a bestájs sorumbáticas como os darks ou os góticos (e, anyway, qualquer pessoa que passe tanto tempo quanto eles despenteando cuidadosamente o cabelo não pode acreditar de verdade no, er, vazio da, er, existência.)
Eu assisti L’Avventura pela primeira vez aos 16 anos de idade, com o Fábio e duas moças bonitinhas que a gente esperava (vainly) cativar, em sessão da meia-noite no Cineclube do Bexiga. Não cheguei bêubo (estado a que duas cervejas me reduziam, então), ou deprimido –pelo contrário, até. Tinha recebido naquele dia, podia voltar de táxi para casa, as perspectivas com as bunitignas pareciam róseas. No entanto, 145 minutos mais tarde, saí mudo do cinema (e os gentis leitores e leitoras acostumados à verborragia aqui do meu bestiário decerto podem imaginar o quanto isso é raro).
Eu ia muito ao cinema; não tinha grande conhecimento teórico sobre a cousa, ou vontade de adquiri-lo, mas fazia idéia prática de como sua gramática funcionava. A primeira coisa que me assustou em L’Avventura foi o enquadramento. E não porque fosse de alguma forma experimental, ou tacanho como o de muitos filmes, er, de vanguarda, tipassim os de Gláuber Rocha. Já que a composição de cada tomada de Aldo Scavarda parecia tão rigorosa, era evidente que aquelas escolhas não representavam um exercício fútil de isssshtilo. A esquisitice do enquadramento não era esquisita; Antonioni queria dizer alguma coisa com aquilo. Mas o que, meu são jizuis?
Depois, o roteiro. O diálogo tépido, o ennui. O filme de férias que vira história de detetive que vira história de amor, só que amor não existe. Tem pouco filme em que menos seja dito e tão pouco aconteça, em 145 minutos. A protagonista desaparece antes do final do primeiro tempo. La Vitti: “Diz ‘eu te amo’”. Ele obedece. “Diz de novo”. Ele recua: “Eu não te amo”. Ao meu lado, os três companheiros de cinema cochilam. (Das 15 pessoas presentes à sessão, 10 parecem estar dormindo.) Minha tentação era chacoalhar todo mundo: “Esse mano tá dizendo alguma coisa MUITO IMPORTANTE”. Mas eu não sabia o que (e, come to think of it, ainda não sei.)
Na saída do cinema, quatro amontoados no táxi (um Fusquinha com o banco frontal de passageiros removido, como se usava então); eu fiquei com o assento mais próximo à porta, colei o rosto ao vidro curvo da janela traseira, sem nem reparar muito que a moça estava uns 80% sentada no meu colo, com o braço envolvendo meu pescoço, olhos brilhantes de conhaque e sono. Depois de as deixarmos em casa, Fábio e eu decidimos respeitar a tradição e caminhar de volta. Ele falou muito das meninas; um pouco do filme (e pelo menos admitiu com hombridade que tinha dormido). Eu não me envergonhei ao admitir que não, não tinha entendido muito bem que cazzo o filme dizia. Mas não tive coragem de confessar que tinha, sim, sentido muito bem o que talvez quisesse dizer –vai ver que para poupar o amigo da revelação (ou desilusão) daquela madrugada.
Quando assisti L’Avventura pela primeira vez, aprendi que estamos completamente sozinhos –nem são jizuis, nem os aliens vão surgir magicamente e nos livrar do oblívio. Aprendi que amor existe e logo não existe no espaço de três tomadas. Que a distância entre as pessoas será sempre intransponível. Que a culpa por tudo isso é minha, nossa. Que a ausência é a única coisa permanente. (E, incidentalmente, que eu nunca conseguiria comer Monica Vitti –and it broke my heart.) Aliás, não sei se “aprendi” é o termo apropriado, porque resumir em palavras aquilo que o filme diz sem elas nunca vai fazer justiça ao impacto do mar, das rochas, das praças, dos rostos, das salas alongadas, das metades e quartos de tela que parecem provenientes de universos distintos. Quando tento resumir em palavras o que o filme me fez sentir, parece sempre um blablablá pseudo-existencialista de cursinho pré-vestibular. L’Avventura não explica lhufas: mostra. Ou, ainda mais doloroso, faz ver. (E provavelmente faz com que cada pessoa veja alguma coisa que ninguém mais verá.) Apesar da presença do Fábio e das meninas, saí do cinema sozinho. Sem deus, sem aliens, sem futuro. Sem amigos. Sem palavras. Sem fôlego. (E a solidão nunca foi tão bela quanto naquela noite.)"

Wednesday, August 08, 2007

ABAIXO DE ZERO

Estamos de mal. Eu e a minha geladeira. Ela tem sido muito fria comigo.
Ultimamente, não posso colocar nada no interior dela, pois tudo congela dentro de pouco tempo. O presunto. O queijo. Os pepinos não bóiam mais no vidro de conserva. Agora, mais parecem um daqueles homems pré-históricos que são descobertos de tempos em tempos, uns na tundra soviética, outros numa geleira no alto dos Pirineus, estáticos, imóveis numa prisão transparente de gelo. Os tomates gaúchos viraram pequenas bolas de bocha, com o poder de esmigalhar um minguinho que por acaso se atreva a aparar uma queda acidental pela borda da pia.
Por favor, não subestimem a minha inteligência. Muitos já o fizeram. Me perguntam: “tu já experimentou diminuir a temperatura?” O que me leva a conclusão de que anos e anos, pra lá e prá cá, sempre com um livro embaixo do braço, claramente fingindo que lia para cultivar uma aura de intelectualismo, não adiantaram para nada. As pessoas enxergam além das aparências. Fui descoberto. Malditos.
Óbvio que a primeira providência foi colocar o termostato no mínimo. Ele está no mínimo. Bem no mínimo. Tão no mínimo que caso uma leve brisa acaricie o exterior imaculado e branco da minha geladeira, é provável que ela se desligue. Essa foi a primeira providência que eu tomei. Pensei que tinha resolvido o problema. No outro dia, abro a porta do refrigerador para encontrar o que mais me lembrava o ataque de um alien. Exatmente, aquele do filme hollywoodiano, que entrava pela boca da vítima, ficava um tempo no seu interior, se desenvolvendo, e depois realizava uma saída triunfal através do tórax do azarado astronauta, num banho de sangue e vísceras. Pois, foi exatamente essa a imagem que me veio a cabeça quando avistei uma lata de coca-cola, completamente ESCANGALHADA, retorcida, estrebuchada, e conteúdo preto da mesma grudado no TETO e em todas as demais paredes da geladeira.
Esta semana chamei a assistência técnica. Sinto que essa é a minha sina. A minha batalha. De um lado, eu. Do outro, os eletrodomésticos da minha casa. Eu sinto que eles estão contra mim.
Outra hora eu falo sobre o que o meu grill tentou armar prá cima de mim.

Monday, August 06, 2007

OS CARAS REALMENTE SE ESFORÇAM

Algumas vezes, chegam umas mensagens na tua caixa de correio que tu, mesmo sabendo que do outro lado do monitor tem alguém empenhado em TE FERRAR, tu é obrigado a dar risada. Para ilustrar o que eu estou tentando dizer, vou colocar aqui como exemplo dois emails que me chegaram neste final de semana.
Aqui o primeiro, em uma espécie de aproach mais sério e solene:
"Comunicado de Segurança
Prezado usuário, detectamos que seu e-mail está enviando mensagem automaticas conhecidas como "SPAM" contaminadas com o vírus "W32.Jeefo@mm", que envia mensagens falsas a servidores de webmail. O mesmo também se propaga através dos compartilhamentos de rede, infectando todo o sistema operacional e toda rede local, comprometendo uma lista completa de arquivos executáveis. Apropriando-se das atividades remotas forçando a finalização de processos de vários programas como antivírus e firewall's. Com isso recomendamos a instalação de nosso sistema Anti-Spam para que este problema seja corrigido o quanto antes.
Caso contrário nosso provedor de WebMail se dará ao direito do total bloqueio de sua conta de E-Mail dentro de um prazo máximo de 48h.
Atenciosamente,
Serviço de proteção ao WebEmail."
Até aí, tudo bem né? Estamos acostumados a receber este tipo de coisa várias vezes durante a semana, juntamente com ofertas miraculosas para aumentar o pênis, conquistar usando ferormônios e escrever cartas comerciais. Qualquer filtro anti-spam mais meia boca já realiza o trabalho de "peneirar" esse tipo de mensagem.
Mas a que me fez dar risada enquanto lia foi essa outra aqui:
"Oi juh ta joiaa amiga?
Bem amiga, eu andei te avisando sobre o Gustavo né? pois e... ontem eu estava na casa dele,tava ele Thiago Guilherme Matheus.. e as meninas.. Camila, Aninha , gabriela..
Quando cheguei la, tava todo mundo no computador, e comentando sobre vc.. achei melhor te avisa.. VOCE E LOUCA de confiar no Gustavo.Você dormiu na casa dele.. BEBADA neh. so pode.. pra te deixado ele te FILMAR.. vc e doida amiga??
Tava TODO mundo la vendo seu video.. os meninos TODOS falando que vao te pegar tbm.. falando que vce GOSTOSA.. sei la o que..
Espero que esse video não cai na mao do seu PAI.. ELE VAI TE MATAR.. pra quem acha que a filhinha e virgem.. rsrs! Sendo ate filmada!!vc e muito louca mesmo..
Bom to te mandando esse E-mail com o video, num sei se vc tem.. e em baxo eles fizero uma montagem!! baixa tambem e vcQUALQUER COISA ME LIGA AMIGA..bjuxxxxxxxx
Segue abaixo o ANEXO do video e da Montagem!
Anexo: Vídeo da Ju.wav
Anexo: Montagem.wav"
Convenhamos: o otário que clicar em qualquer desses links MERECE ter o computador infectado por um vírus e ter a sua conta corrente raspada até o tacho. Se for um gurizão, prá aprender a deixar de ser BURRO, e se for alguém de mais idade, desacostumado a lidar com as pragas ameaçadoras do mundo virtual, prá deixar de ser SAFADO.
E eu imagino o larápio que mandou esse email cretino se rindo todo conforme os $$ da vítima vão automaticamente sendo transferidos para alguma conta fantasma nas Ilhas Virgens... (perceberam a ironia?)
Desta vez eu deixei prá escrever isso só no final, porque ninguém deve aguentar mais: semana nova, post novo!