Thursday, January 10, 2008

MIL GRAUS

"Verão bávaro

No Sul faz frio, né?

É... Só se vê gente bonita e elegante desfilando casacões felpudos por ruas arborizadas com cerejeiras, mendigos morrendo congelados grudados no chão de marquises, delicatessens e cafés fervem de intelectuais discutindo A + B regados de longas goladas de chocolate quente com conhaque, e não é incomum avistarem pinguins chegando pelo Guaíba.

E chega até a nevar?

Opa! Neva que dá gosto! É quando as lojas de piscina viram suas fachadas e passam a vender equipamentos de esqui, e são lindos os telhados cobertos de branco e os pinheiros fazendo sombra para surreais bonecos de neve criados por pequerruchos de bochechas rosadas e platinadas madeixas desfiadas.

Todas as casas tem calefação própria, então?

E também os ônibus, e todos os locais de trânsito de gente são fechados e devida e diuturnamente aquecidos, e as adegas não precisam de climatização artificial.

Caraca! Praticamente uma filial da Suíça?

Sim, se a Suíça ficar na África meridional e 40º positivíssimos for uma temperatura agradável ao corpo humano, as roupas descartáveis de tanto que se troca durante o dia, anti-transpirante e desodorante forem uma piada mesmo numa mísera caminhada até o supermercado da esquina, e ar-condicionado no talo for artigo tão comum quanto os litros de água consumidos ao longo da jornada para compensar a desidratação constante, e sombras acabam disputadas na ponta do punhal."

Daqui

Wednesday, January 02, 2008

JÁ TEM POST EM 2008


Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

ps> tirei lá do Pedro Dória. Que todos façam por merecer o que se convencionou chamar de ANO NOVO.

Inclusive EU.

* Foto: eu e o Zumbi, em algum lugar do pampa gaúcho...