Wednesday, June 22, 2005
Hoje eu vou jogar bola, como sói acontecer todas as quartas-feiras, e depois vou em um desses butecos ali da República, encontrar um monte de gente que faz um lapso considerável de tempo que eu não vejo. Eles eram meus companheiros em um escritório de advocacia, o primeiro no qual eu trabalhei quando vim para a capital. E eu era tão infeliz. Porque aquele lugar era alegítima filial do inferno, não teria outra forma de descrever, tamanhas eram a arrogância, a prepotência, a falta de cultura dos meus antigos patrões. E não era apenas eu que sentia isso, tanto que desta turma de hoje, somos 11 ex-escravizados, dos 12 que trabalhavam lá quando entrei. Olhando para trás, parece que faz taaaanto tempo...
Monday, June 13, 2005
DUAS SURPRESAS
Na primeira vez, foi o pranto. As inesperadas lágrimas, que surpreenderam tanto por sua precocidade, como por sua natureza absolutamente sincera.
“Eu só chorei por quê estava triste”. Simples assim.
Muitas vezes, se buscam tantas justificativas para coisas tão simples, entre elas, os sentimentos, quando seria muito mais fácil entendê-los através de uma lágrima ou um sorriso, ao invés de tentar verbalizar justificativas, explicações...
Na segunda vez, foi a dignidade. A aceitação sem súplicas, de algo que deveria doer por dentro. Quantas vezes eu, que me achava senhor de algo, não fui capaz de manter a mesma postura digna, ao perceber que algo deveras precioso, escorregava por entre meus dedos?
Nenhuma espécie de coitadismo, de auto-piedade, de vitimização própria. Nada de Elis, nos meus pés aos pés da cama, sem carinho, sem coberta, num tapete atrás da porta, sussurrando baixinho.
Quase chega a parecer um erro. Porém sei que as escolhas pertencem sempre a um determinado contexto, e devido a isso, não existe opção errada. Porque não havia opção, apenas a coisa certa a fazer. Todo o resto seria puro egoísmo.
“Fica bem”, ela disse.
“Eu só chorei por quê estava triste”. Simples assim.
Muitas vezes, se buscam tantas justificativas para coisas tão simples, entre elas, os sentimentos, quando seria muito mais fácil entendê-los através de uma lágrima ou um sorriso, ao invés de tentar verbalizar justificativas, explicações...
Na segunda vez, foi a dignidade. A aceitação sem súplicas, de algo que deveria doer por dentro. Quantas vezes eu, que me achava senhor de algo, não fui capaz de manter a mesma postura digna, ao perceber que algo deveras precioso, escorregava por entre meus dedos?
Nenhuma espécie de coitadismo, de auto-piedade, de vitimização própria. Nada de Elis, nos meus pés aos pés da cama, sem carinho, sem coberta, num tapete atrás da porta, sussurrando baixinho.
Quase chega a parecer um erro. Porém sei que as escolhas pertencem sempre a um determinado contexto, e devido a isso, não existe opção errada. Porque não havia opção, apenas a coisa certa a fazer. Todo o resto seria puro egoísmo.
“Fica bem”, ela disse.
Tu também, guria.
Thursday, June 09, 2005
Mais Ctrl C + Ctrl V
Do pó ao pó
Por que as mulheres se maquiam (maquiam ou maqueiam, eis a questão)? As mulheres feias tudo bem, who cares? Mas as bonitas. Pra quê? Quando uma mulher aparece com o rosto cheio de pó e pergunta:
- Como estou?
Tenho vontade de citar Hamlet: "Deus lhe deu um rosto, e você faz dele outro! Já para um bordel!"
Há uma pequena controvérsia aí. Algumas pessoas acham que Hamlet diz "já para um convento". E é verdade, ele diz "já para um convento". Só que convento era gíria para bordel naquela época. De qualquer forma, o que eu respondo é simplesmente:
- Está linda.
E pode estar mesmo, esse não é ponto. O ponto é que ela ficaria mais bonita com o rosto au naturel. Aliás, ficaria mais bonita inteira au naturel – mas as mulheres passam horas escolhendo e experimentando vestidos. Para mim, funciona mais ou menos desse jeito:
vestidos fáceis de arrancar: bonitos; vestidos difíceis de arrancar: feios.
E o cabelo? Por que diabos as mulheres ficam horas no cabeleireiro? Pra ficarem mais parecidas com a Marge Simpson? É isso? Sempre que eu assisto a uma propaganda de shampoo, eu acho a mulher mais bonita antes de usar o shampoo. I don't know. Maybe it's me. Maybe tomorrow. Mas desconfio que as mulheres não se arrumam para os homens. Se arrumam para as outras mulheres. É uma competição entre elas. Nós não temos nada a ver com isso. Elas gostam de vestidos, maquiagens e penteados e competem pra ver quem fica melhor de vestido, maquiagem e penteado – enquanto nós ficamos esperando para arrancar o vestido, destruir a maquiagem e desfazer o penteado.
- Como estou?
Tenho vontade de citar Hamlet: "Deus lhe deu um rosto, e você faz dele outro! Já para um bordel!"
Há uma pequena controvérsia aí. Algumas pessoas acham que Hamlet diz "já para um convento". E é verdade, ele diz "já para um convento". Só que convento era gíria para bordel naquela época. De qualquer forma, o que eu respondo é simplesmente:
- Está linda.
E pode estar mesmo, esse não é ponto. O ponto é que ela ficaria mais bonita com o rosto au naturel. Aliás, ficaria mais bonita inteira au naturel – mas as mulheres passam horas escolhendo e experimentando vestidos. Para mim, funciona mais ou menos desse jeito:
vestidos fáceis de arrancar: bonitos; vestidos difíceis de arrancar: feios.
E o cabelo? Por que diabos as mulheres ficam horas no cabeleireiro? Pra ficarem mais parecidas com a Marge Simpson? É isso? Sempre que eu assisto a uma propaganda de shampoo, eu acho a mulher mais bonita antes de usar o shampoo. I don't know. Maybe it's me. Maybe tomorrow. Mas desconfio que as mulheres não se arrumam para os homens. Se arrumam para as outras mulheres. É uma competição entre elas. Nós não temos nada a ver com isso. Elas gostam de vestidos, maquiagens e penteados e competem pra ver quem fica melhor de vestido, maquiagem e penteado – enquanto nós ficamos esperando para arrancar o vestido, destruir a maquiagem e desfazer o penteado.
FDR
