
Por que Fani venceu
Santiago P. Fusco 12.04.2007
Chega um momento na vida em que todo homem, como Sofia, precisa fazer escolhas difíceis. Este mês a disputa pelo troféu Sexo nas Bancas me armou uma dessas ciladas: favorita óbvia, ululante, cantada em prosa e verso e turbinada pela audiência massificada do Big Brother Brasil, a fogosa Fani se viu de repente desafiada por duas mulheres de primeiríssima qualidade, daquelas capazes de levar um homem a fazer uma grande besteira – largar a família, filiar-se ao DEM ou alguma coisa igualmente drástica. Pois é: quando ninguém mais esperava concorrência alguma, eis que colaram na traseira de Fani (opa!), buzinando e piscando os faróis para pedir passagem, ninguém menos que Lavínia Vlasak e Juliana Silveira, duas atrizes de fora do esquema global, mas de beleza perturbadora e quase dolorosa. Precisava? E agora?Que diabo, que vençam Fani e a “Playboy”. Pronto, está feito. E por que Fani vence? Será que por acaso ela está espetacular nas fotos feitas pelo craque J.R. Duran em cenários clean e num clima meio flu – que, aliás, destoam bastante da personalidade desbocada e voraz que ela projetou no programa da Globo, esfriando um pouco a diversão (faltou uma foto da moça subindo pelas paredes)? Não, a supremacia não vem exatamente daí. A filha de Nova Iguaçu é bacana, sem dúvida, mais bacana “indo do que vindo”, para usar o clássico eufemismo consagrado por Camilo Castelo Branco. Falando claro: Fani tem uma bunda belíssima, tanto na quantidade quanto na qualidade. Mesmo descontando as possíveis artes do Photoshop, o que sobra é mais que substancial, ao mesmo tempo rechonchudo e altivo – combinação, como se sabe, rara. Os seios, porém, deixam a desejar. Não por serem miúdos: o colunista está longe de cultivar aquela tara leiteira que os americanos curtem. Achei-os apenas meio tristonhos. A rapidez com que Fani pulou da casa do BBB para as páginas da “Playboy” não lhe deu tempo para retoques do gênero, mas aposto que ela não tardará a providenciar o reforço daqueles polímeros conhecidos como silicone. Tomara que não abuse na dose.Se Fani não é nada do outro mundo, por que, então, derrota uma deusa como Lavínia, capa da “UM”, e uma semideusa como Juliana, capa da “VIP”? É aí que um homem precisa fazer suas escolhas difíceis e ter, digamos, princípios. Fani vence porque tira a roupa todinha. Basicamente isso. Também ajuda um bocado o fato de que todos os marmanjos do Brasil – está bem, quase todos – contavam os dias e as horas para vê-la nuinha. Essas coisas contam, e muito. Parafraseando Ortega y Gasset, aquele grande sacana, “a mulher é a mulher e suas circunstâncias”. Quando tanta expectativa e desejo – até certo ponto artificiais, sim, criados pela mídia, e daí? – desaguam na plena satisfação da expectativa e do desejo, não adianta remar contra a maré. Fani prometeu. A “Playboy” cumpre. And the winner is...Lavínia e Juliana são casos diferentes. A primeira, que há muitos anos uso como colírio para minhas retinas tão fatigadas, nos contempla no classudo ensaio de André Wanderley com seu olhar de esfinge e sugere as promessas mais loucas – que, no entanto, não se cumprem. Quando não é a roupa, são suas próprias mãos de dedos longos que lhe encobrem a nudez esguia e suculenta, dois adjetivos que raramente são vistos juntos, mas que se combinam feito champanhe e caviar no corpo elegante de Lavínia. O leitor esperto já sabe: trata-se de um ensaio sensual, sem nudez explícita. Só mesmo o pudor poderia deixar uma mulher de tamanha categoria, atualmente estrela da novela “Vidas opostas”, da Record, em segundo lugar no pódio. Paciência. Prometo, Lavínia, que no dia em que aqueles dois incômodos pedaços de pano preto beijarem seus pezinhos ossudos, estarei aqui à sua espera, de troféu na mão. Pode cobrar.E Juliana? O mesmo “problema”, se é que podemos chamá-lo assim. A “VIP” também não costuma desnudar suas musas por inteiro. O que, confesso, doeu menos do que no caso de Lavínia, porque nunca tinha atentado para a beleza de ar adolescente da menina de olhos verdes e boquinha entreaberta que encarnou Floribella numa dessas novelas bobas da televisão. Ou seja: as bonitas fotos de Christian Gaul – metade num clima marinho, a outra metade na alcova – tiveram para mim um caráter tão revelador que eu lhes desculpei mais facilmente o recato do biquíni. Mas é uma pena, claro. Juliana Silveira também pode vir cobrar seu troféu no dia em que se despir inteira – mas, por favor, que não seja no mesmo mês da Lavínia, tá? Estou farto de escolhas de Sofia.Fechando o mês, a “Sexy” traz a saudável atriz Carla Regina num interessante ensaio de Bob Wolfenson clicado em Cartagena, na Colômbia, em cenários naturais e, em algumas fotos, até no meio da rua, dentro de um ônibus cheio de sujeitos barbados etc. A ousadia tem resultado interessante, principalmente por fugir da rotina. A “Sexy” promete nudez total e, correndo até o risco de descambar para uma certa vulgaridade, entrega a mercadoria inteirinha, foto após foto. No balanço geral, um belo mês para o voyeur das bancas.