Friday, November 24, 2006

NEM SEMPRE

O Manual de Sobrevivência McNasty jamais seria um best seller. Ao contrário do coleguinha action hero McGyver, eu não conseguiria ensinar ninguém a fazer uma usina nuclear rústica usando dois elásticos, uma lata de Manteiga Aviação e uma pilha Eveready, e aquele famoso conselho sobre como sobreviver ao ataque de uma anaconda*, ô, Uncle Filthy não seria capaz de reproduzir sem cair na gargalhada, despertando a ira do ofídio.Mas isso não quer dizer que eu não tenha um bom conselho, e esse conselho, resumidamente, é o seguinte: em caso de dúvida, não vá.
Com 16 anos, padecendo de uma dessas paixões patéticas de adolescente (se ela me beijava primeiro que os outros mano, ao chegar na escola, meu dia estava feito; se ela me beijava por último, apocalipse), descobri a maravilhosa fórmula mágica: se você tem alguma dúvida de que ir à tal festa seja uma boa idéia, não vá. Porque, se as chances estivessem a seu favor, você não teria dúvida nenhuma. E é muito melhor ficar em casa, onde pelo menos você manda na trilha sonora, do que padecer três horas no salão de festa de um “estilo mediterrâneo” qualquer esperando que ela te dê mole, só pra terminar a noite vendo a moça arrastada pro jardim pelo Antônio Carlos, que decerto vai exibir à musa aquela menos canora das aves.
Meu mitológico amigo Hugo, fonte inesgotável de sabedoria na adolescência, usava uma expressão maravilhosa para o processo: “desbobar”. (Ele mesmo, coitado, nunca desbobou: passou anos penosos apaixonado por uma mina absolutamente intolerável. Mas os conselhos eram sempre no ponto, ainda assim.) É aquela famosa cena que filme americano de adolescente insiste em repetir: o loser no prom, o cara que insiste em confrontar a triste realidade de que ele não vai ficar com a góztóza, movido por aquela mórbida mistura de curiosidade e esperança (e, claro, porque nós, espectadores de cinema, somos todos losers, nos filmes o bundão o mais das vêiz cata a mina: perigo, Will Robinson.)
Mas o conselho não serve só pra desgraças românticas. “Na dúvida, não vá”, é a fórmula mais próxima de uma verdade universal que eu já encontrei. Se você vacila pra comprar ingressos pro “show do século” (qualquer um dos três milhões deles que acontecem por ano), não vá. Se alguém te convida pra jantar e seu primeiro instinto é rainchecking, não vá. Se te oferecem um emprego supostamente ótimo e o patrão tem cara de César Bórgia, não vá. Se a moça clean kicked you out, não forje encontros “acidentais” pra lembrá-la de que você ainda tá por lá. Porque esperança é a droga mais idiota: cria buzz mas não dá high. E depois que você aprende a dizer não, começa a descobrir prazeres insuspeitados na idéia de não ir à festa, não participar da formatura, gastar o dinheiro que gastaria no bundalelê de casamento com uma viagem caprichada procê e a noiva. E não só os, er, “prazeres solitários” (piadas no segundo guichê à esquerda), mas o prazer de saber que, quando vai, é porque realmente quer, e nunca por essa mistura de inércia e esperança estúpida que leva a gente a ir na tal festa e flagrar a musa em momento getting to know you com o Antônio Carlos. Sozinho e desbobado é sempre melhor do que otário junto.
*Em resumo: não corra, porque a cobra é mais rápida. Deite, se faça de morto, braços e pernas colados ao corpo, queixo encostado ao peito, e deixe a cobra deslizar sobre seu corpo. Depois que ela terminar o exame, vai começar a te engolir, pelos pés. Quando a anaconda chegar ao joelho, apanhe uma faca e, com o mínimo possível de movimento, enfie a lâmina entre sua perna e a boca da cobra. Quando estiver posicionado, rapidamente corte a cabeça da cobra. O conselho vem acompanhado de dois lembretes: tenha sempre uma faca. Mantenha a faca afiada. Pô, meu, come on: eles recomendam ESSA estratégia para sobrevivência? Creio em deus padre. Melhor recomendar "tenha sempre um lança-chamas. E o mantenha abastecido". Ou, mais prático ainda: "o lugar tem anacondas? Não vá".
Tudo isso foi apenas para alertá-los do seguinte: algumas vezes, não é apenas no filme americano que o bundão cata a mina góstóza...

5 Comments:

hjdhsjhdjsjds Blogger isa said...

oi paul! que texto legal! de quem é, é teu? estou sempre por aqui, tambem! beijos!

27/11/06 12:16 AM  
hjdhsjhdjsjds Blogger Paul said...

Oi Isa! O texto não é meu não. Toda a parte em negrito/itálico é do www.filthymac.wunderblogs.com , que eu vivo colando aqui. Se tu perdeu, recomendo a série "Chuva", perdida aqui pelos arquivos do blog. Usei o texto dele apenas à título de argumentação. O último parágrafo é meu.
:o)
Beijão Isa!

27/11/06 10:16 AM  
hjdhsjhdjsjds Anonymous Anonymous said...

Oi!!! Almoçamos amanhã? Se tiveres dúvida, vá se catar!!! Beijo!!!

27/11/06 1:11 PM  
hjdhsjhdjsjds Blogger Paul said...

Malinha da minha existência: almoçaremos com cerveja, norteña dúvida.

28/11/06 11:02 AM  
hjdhsjhdjsjds Anonymous Anonymous said...

eM PORTO, NO FINDI, CERVEJAAAAAAA COM CERTEZA...

28/11/06 11:43 AM  

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