A PROPÓSITO DE NADA
Como todo blogueiro que se encontra imerso em uma crise criativa, adoto sempre a fácil e simples solução de copiar e colar algo que eu ache interessante e, por motivos desconhecidos, julgo que alguém também possa vir a gostar.
Como o Manuca disse certa vez, isso aqui é um blog, e a razão dele existir é que de vez em quando tem alguma coisa para ser lida, qualquer coisa, mesmo que não seja exatamente o que se queria dizer (ou ler) no momento. Como já havia algum tempo que eu não aparecia por aqui, me forcei, sob pena de torturas indescritíveis a serem auto-inflingidas em caso de descumprimento da obrigação, a digitar algo por estas paragens.
Embora ainda seja difícil me acostumar com a idéia de abrir esta página a partir de hoje e não ver o "Paul -Sóbis" ali, correndo com a bandeira colorada desfraldada. Mas são coisas da vida, vocês ainda me verão no Japão...
Bom, antes do tradicional Ctrl C + Ctrl V, um pensamento que me ocorreu hoje: não sei se é porque eu sou novo ainda, e talvez no futuro até venha a mudar de idéia, mas no momento eu gostaria que os cientistas que demandaram seus esforços e alguns bilhões de dólares na pesquisa e desenvolvimento do Viagra tivessem aplicado seus esforços em alguma cura realmente eficiente para a calvície...
e la nave va...
Com vocês, nosso special ( e frequente ) guest, Uncle Filthy:
Chuva
Quando a garoa chegou, os convidados que a música ruim ou as irreprimíveis necessidades de xaveco haviam arremessado ao terraço começaram a voltar para dentro do prédio. Ele manteve o posto, cotovelos fincados na grade de proteção e olhos fixos nas distantes luzes do vale, cigarro entre o anular e o médio da mão direita. A mulher de vestido azul e ombros nus revelados por uma écharpe diáfana de um azul mais claro se aproximou, com gotas de garoa brilhando como jóias sobre o coque severo que restringia seus cabelos avermelhados. “Posso filar um cigarro?”, pediu, parando ao lado dele, um passo atrás da grade. Ele tirou o maço do bolso interno do paletó e o ofereceu com um fracassado floreio que supostamente deveria ter feito o filtro de um cigarro saltar pela abertura. Ela apanhou o maço, bateu no topo para pescar um Marlboro, sorriu enquanto ele substituía o maço por um isqueiro que também se recusou a funcionar com maneta suavidade, forçando-o a levar o próprio cigarro aos lábios e a usar as duas mãos para desemperrar o Ronson made in China. “Obrigada”, disse a mulher, tragando e liberando a fumaça na direção das luzes que piscavam distorcidas pela chuva.
Enquanto os últimos ocupantes do terraço fugiam à garoa, as portas metálicas que separavam salão e espaço aberto deixavam escapar fragmentos de música. “Tá feia, a coisa”, ele disse, algumas tragadas mais tarde. Ela riu: “A meteorologia prevê chuvas, trovoadas e macarena”. Ele tirou o paletó, e o ofereceu como proteção contra as gotas cada vez mais densas da ex-garoa. Ela fez que não, hesitou, sorriu, aceitou. “Se apertar, sempre resta a macarena”, ele disse, apagando o cigarro com cuidado e arremessando a bituca na direção do asfalto negro da estrada que brilhava sob a chuva, uma centena de metros abaixo. “Melhor a gente entrar”, ela propôs, depois de deslizar a mão pelos cabelos molhados.
Entraram de braços dados, e ficaram parados, um pouco sem jeito, do lado de lá da porta. “Obrigada”, ela disse, devolvendo o casaco depois de varrer as gotas de chuva com o dorso da mão. “Meu nome é Bernardo”, ele se apresentou, vestindo o paletó. “O meu é Ana”, ela respondeu, estendendo a mão. “Só Ana”. Ele sorriu, prolongando o aperto de mão um pouquinho mais do que a etiqueta recomendaria. Duas moças bebinhas se aproximaram e arrastaram Ana com elas. “A gente se vê”, ele disse, enquanto as três se afastavam com um apressado tic-tac-tlec de saltos na direção da farra. Antes de desaparecer na multidão, Ana se voltou, acenou, soprou um beijo, e ele respondeu com uma continência juvenil, dois dedos levados rapidamente à têmpora. Na porta de saída, duas horas mais tarde, Bernardo a viu beijando outro cara.
Enquanto os últimos ocupantes do terraço fugiam à garoa, as portas metálicas que separavam salão e espaço aberto deixavam escapar fragmentos de música. “Tá feia, a coisa”, ele disse, algumas tragadas mais tarde. Ela riu: “A meteorologia prevê chuvas, trovoadas e macarena”. Ele tirou o paletó, e o ofereceu como proteção contra as gotas cada vez mais densas da ex-garoa. Ela fez que não, hesitou, sorriu, aceitou. “Se apertar, sempre resta a macarena”, ele disse, apagando o cigarro com cuidado e arremessando a bituca na direção do asfalto negro da estrada que brilhava sob a chuva, uma centena de metros abaixo. “Melhor a gente entrar”, ela propôs, depois de deslizar a mão pelos cabelos molhados.
Entraram de braços dados, e ficaram parados, um pouco sem jeito, do lado de lá da porta. “Obrigada”, ela disse, devolvendo o casaco depois de varrer as gotas de chuva com o dorso da mão. “Meu nome é Bernardo”, ele se apresentou, vestindo o paletó. “O meu é Ana”, ela respondeu, estendendo a mão. “Só Ana”. Ele sorriu, prolongando o aperto de mão um pouquinho mais do que a etiqueta recomendaria. Duas moças bebinhas se aproximaram e arrastaram Ana com elas. “A gente se vê”, ele disse, enquanto as três se afastavam com um apressado tic-tac-tlec de saltos na direção da farra. Antes de desaparecer na multidão, Ana se voltou, acenou, soprou um beijo, e ele respondeu com uma continência juvenil, dois dedos levados rapidamente à têmpora. Na porta de saída, duas horas mais tarde, Bernardo a viu beijando outro cara.

5 Comments:
Um final imprevisivel, foge ao viveram felizes (juntos) para sempre...
Pois é Clarisse, mas veja bem: assim como na vida, nunca sabemos quando é realmente o "THE END"...
Prezado Renight,
só não posso me furtar de fazer um comentário:
se tu tivesse agora 60 anos (tá quaaase, mas ainda não chegaste lá...) tu não ia mais te importar com a calvície. PORÉM, com certeza, tu irias agradecer todos os dias a invenção do VIAGRA!
Como bem dissestes acima: ""nunca sabemos quando é realmente o "THE END"...""!!! Hehehe!!!
PORÉM II, é bom lembrar uma feliz citação do finado Caudilho Leonel Brizola: "Gaúcho se tomar viagra morre de overdose..."!
PS. Olho pra cima da tabela e não vejo o Inter...
Saudações,
Sr. Respostinha!
SR. RESPOSTINHA:
vire a cabeça, e verás um colorado atrás de ti... pelo jeito, aprecias um bafo na nuca, hein?
TOUCHÉ!
hahahahabráços!
Renight,
obrigar-me-ei a ilustrar os antagonismos:
acima - abaixo (é o caso);
na frente - atrás (não é o caso).
Passe bem!
Mas braços, siiiiiiiim, sempre hahahabraços!!
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