DELÍCIAS

Uma coisa muito, mas muito boa, é quando aquilo que tu imagina primeiramente na tua cabeça, se realiza exatamente igual na vida real. Por exemplo:
Tu vai bater uma falta. Na intermediária de ataque, no lado esquerdo da quadra. Posiciona a redonda no parquet, encaixa o pé abaixo dela, e caminha três passos de costas. Tu sabe que o teu pé necessita voltar àquela mesma posição, daqui a um instante. Só é possível ver a barreira, tu não enxerga o gol. Mas ele está lá, onde sempre esteve. Tu te imagina correndo pra bola, batendo com o lado de dentro do pé, como se fosse uma concha, naquele exata circunferência lateral que vai fazer a bola passar ao lado da orelha do cara que está na barreira, para depois fazer uma curva e entrar caprichosamente naquele espaço que, no momento, tu não estás enxergando, mas sabes que está lá. A famosa “gaveta”.
Tu vai. Bate. E é gol.
Tu estás no teu lado da quadra, alguns passos antes do círculo central. É lateral para o teu time, e tu repara que o goleiro adversário está um pouco despreocupado demais, e também ligeiramente adiantado, quase como um deboche velado. Tu avisa para o companheiro que vai bater o lateral, num tom de voz que não denuncie ao inimigo a sua intenção, e sem olhar mais para o goleiro, para não adverti-lo do que está por vir: “daqui eu meto.” Tu recebe a bola, levanta a cabeça uma última vez para calcular a distância, e percebe no olhar do goleiro cessar aquele ar de provocação, enquanto ele começa a recuar. Tu bate embaixo na bola, bem embaixo, rente ao chão, para que ela descreva uma parábola, enquanto o goleiro aumenta a velocidade, de volta à sua meta, o olhar agora um misto de esforço e desespero. A redonda viaja, viaja, já na descendente agora, o goleiro estica os braços, pula, mas é inútil: ela caprichosamente dá uma “casquinha” no travessão e rola pelas redes até o fundo do gol. Milimetricamente. Da maneira exata a qual tu havias imaginado.
Estás sob marcação cerrada. Um cara não desgruda de ti, está difícil furar a defesa com toque de bola pelo meio. Um companheiro de equipe está com a bola em frente a sua área, um pouco acuado pela marcação de saída de bola. Tu olha pro cara, faz um sinal com a mão, e fala apenas movimentando os lábios, sem emitir qualquer som: “lança”
E parte em velocidade, surpreendendo o marcador, que começa a te perseguir á apenas um passo ou dois de distância, tu consegues sentir a vibração das pisadas no parquet nos teus calcanhares. Tu olha pra cima, o teu companheiro já fez o lançamento, a bola vem alta o suficiente para impedir a interceptação pelo adversário, mas com velocidade que torna o chute uma proeza difícil para aqueles dotados de pouca habilidade. Tu pensa: “que coisa linda emendar de primeira, sem deixar cair, e estufar as redes.” Tu emenda. E é gol.
O goleiro faz um lançamento rasteiro, a bola vem rasgando o parquet de tão rente ao solo, quase não gira, é mais como se estivesse se arrastando ao teu encontro. O adversário corre ao seu encontro, não é possível definir quem está mais perto da redonda. Ele estica a perna, parece que vai alcançá-la antes, quando tu, de lado, quase de costas, deixa que ela role pela ponta do pé e suba, apenas o suficiente para descrever uma curva exatamente sobre a cabeça do adversário e já caia rolando em direção ao gol do oponente, para a conclusão sem piedade do melhor amigo que faz às vezes de goleiro. Toma. É gol.
Assim é o futebol. Tem dias que tudo dá certo. Como para mim, nos últimos tempos a maioria dos jogos tem sido do tipo que tudo dá ERRADO, fiz questão de registrar os lances memoráveis do embate de ontem. Desculpem aí: Tiago e Tata, respectivamente barreira e goleiro do meu gol de falta, Alemão Felipe o goleiro adiantado e Cabelo, pelo balãozinho no meio da quadra.
Até quarta que vem!
Tu vai bater uma falta. Na intermediária de ataque, no lado esquerdo da quadra. Posiciona a redonda no parquet, encaixa o pé abaixo dela, e caminha três passos de costas. Tu sabe que o teu pé necessita voltar àquela mesma posição, daqui a um instante. Só é possível ver a barreira, tu não enxerga o gol. Mas ele está lá, onde sempre esteve. Tu te imagina correndo pra bola, batendo com o lado de dentro do pé, como se fosse uma concha, naquele exata circunferência lateral que vai fazer a bola passar ao lado da orelha do cara que está na barreira, para depois fazer uma curva e entrar caprichosamente naquele espaço que, no momento, tu não estás enxergando, mas sabes que está lá. A famosa “gaveta”.
Tu vai. Bate. E é gol.
Tu estás no teu lado da quadra, alguns passos antes do círculo central. É lateral para o teu time, e tu repara que o goleiro adversário está um pouco despreocupado demais, e também ligeiramente adiantado, quase como um deboche velado. Tu avisa para o companheiro que vai bater o lateral, num tom de voz que não denuncie ao inimigo a sua intenção, e sem olhar mais para o goleiro, para não adverti-lo do que está por vir: “daqui eu meto.” Tu recebe a bola, levanta a cabeça uma última vez para calcular a distância, e percebe no olhar do goleiro cessar aquele ar de provocação, enquanto ele começa a recuar. Tu bate embaixo na bola, bem embaixo, rente ao chão, para que ela descreva uma parábola, enquanto o goleiro aumenta a velocidade, de volta à sua meta, o olhar agora um misto de esforço e desespero. A redonda viaja, viaja, já na descendente agora, o goleiro estica os braços, pula, mas é inútil: ela caprichosamente dá uma “casquinha” no travessão e rola pelas redes até o fundo do gol. Milimetricamente. Da maneira exata a qual tu havias imaginado.
Estás sob marcação cerrada. Um cara não desgruda de ti, está difícil furar a defesa com toque de bola pelo meio. Um companheiro de equipe está com a bola em frente a sua área, um pouco acuado pela marcação de saída de bola. Tu olha pro cara, faz um sinal com a mão, e fala apenas movimentando os lábios, sem emitir qualquer som: “lança”
E parte em velocidade, surpreendendo o marcador, que começa a te perseguir á apenas um passo ou dois de distância, tu consegues sentir a vibração das pisadas no parquet nos teus calcanhares. Tu olha pra cima, o teu companheiro já fez o lançamento, a bola vem alta o suficiente para impedir a interceptação pelo adversário, mas com velocidade que torna o chute uma proeza difícil para aqueles dotados de pouca habilidade. Tu pensa: “que coisa linda emendar de primeira, sem deixar cair, e estufar as redes.” Tu emenda. E é gol.
O goleiro faz um lançamento rasteiro, a bola vem rasgando o parquet de tão rente ao solo, quase não gira, é mais como se estivesse se arrastando ao teu encontro. O adversário corre ao seu encontro, não é possível definir quem está mais perto da redonda. Ele estica a perna, parece que vai alcançá-la antes, quando tu, de lado, quase de costas, deixa que ela role pela ponta do pé e suba, apenas o suficiente para descrever uma curva exatamente sobre a cabeça do adversário e já caia rolando em direção ao gol do oponente, para a conclusão sem piedade do melhor amigo que faz às vezes de goleiro. Toma. É gol.
Assim é o futebol. Tem dias que tudo dá certo. Como para mim, nos últimos tempos a maioria dos jogos tem sido do tipo que tudo dá ERRADO, fiz questão de registrar os lances memoráveis do embate de ontem. Desculpem aí: Tiago e Tata, respectivamente barreira e goleiro do meu gol de falta, Alemão Felipe o goleiro adiantado e Cabelo, pelo balãozinho no meio da quadra.
Até quarta que vem!

1 Comments:
Toca a bola, Paul! Deixa de ser fome!
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